Os 6 Ritos de Passagem – Parte III – (Menarca e Transição)

Muitas culturas primitivas, incluindo a celta e a nativa americana, tiveram rituais para marcar a passagem de uma pessoa para a fase adulta, para as meninas isso ocorre em sua primeira menstruação no Rito de Menarca, que é celebrado através de um ritual exclusivo para mulheres, já para os meninos, a cerimônia que marca sua introdução na fase adulta é o Rito de Transição, que ocorre por volta dos 13-14 anos de idade e que é celebrado somente por homens.

A menstruação é uma das coisas mais sagradas para uma Bruxa e provavelmente o Mistério mais profundo da sacralidade feminina e espiritualidade da Deusa.

Nas culturas antigas a primeira menstruação de uma garota, a menarca, era marcada com um Rito de Passagem especial, isto era uma forma de iniciação que introduzia a garota na vida adulta lhe ensinando valores e Mistérios próprios dessa nova condição de vida, rituais como este foram celebrados entre povos tão distantes quanto os africanos, havaianos, celtas e nativos americanos.

Muitas são as Tradições mágicas ligadas à menstruação da mulher e seu ciclo,no Egito os Faraós faziam elixires mágicos com o sangue menstrual para aumentar os seus poderes espirituais e magnetismo, os gregos misturavam o sangue menstrual de uma mulher nas sementes que seriam plantadas, pois acreditavam que isso aumentava a fertilidade do solo e a possibilidade de conseguir uma colheita farta, e muitas são as lendas que nos falam da criação do mundo através do sangue menstrual da Deusa.

Muitos povos antigos construíam templos especiais dedicados à reclusão das mulheres durante sua menstruação, uma vez que eles acreditavam que a mulher possuía poderes mágicos incríveis durante esta fase, as mulheres também eram altamente honradas durante seu período menstrual e recebiam privilégios, entre os nativos americanos a mulher menstruada saia à noite para caminhar nua entre os campos quando as sementes estavam crescendo, isso afastava os insetos e pragas, quando a mulher não encontra solo fértil onde possa aprender e honrar este processo natural de transformação que ocorre em seu corpo, ela pode desenvolver danos psicológicos que acabam por transformar esta transição em uma fase brutal de crises, contestações, problemas emocionais e desencontros internos.

Algumas mulheres podem demorar anos para resolver as crises provindas de uma transição mal resolvida na adolescência, outras nunca sairão delas, uma mulher que não é ensinada a honrar a sacralidade do seu corpo e de sua menstruação perde o seu orgulho, sua auto-estima e confiança.

O retorno aos rituais que celebram a Menarca e a transição da infância para a fase adulta da mulher através dos Mistérios do Sangue formam a noção de individualidade, honra e respeito em uma mulher, já que as mulheres não sentem naturalmente vergonha da sua menstruação, quanto mais as mulheres honrarem seus próprios mistérios, a sacralidade de seu próprio corpo, mais a humanidade estará se afastando do caos promovido por séculos de patriarcado e ofuscação da força e poder feminino.

A verdadeira Bruxa deve ter consciência da sacralidade do seu próprio sangue mensal e sobre os Mistérios e ritos que o envolvem, em tais ritos ela deve perceber o seu sangue como o elixir da vida, sem o qual nada nem ninguém existiria.

O sangue menstrual possibilita a mulher a lembrar todos os meses de que ela é a manifestação da Deusa na Terra, que ela é fértil como a Terra, que ela é a vida que nutre a vida, é o não reconhecimento a esta força e poder que faz a mulher se sentir estranha, fatigada, introspectiva e até mesma doente durante sua menstruação, pois renegar a importância e sacralidade deste período é renegar a própria Deusa, a mulher que honra seu ciclo mensal passa a ver o seu sangue não com vergonha, mas como sagrado, o sangue da cura, o sangue da vida, percebendo que a cura da vida está no retorno à sabedoria da mulher e da Deusa.

Os Mistérios do Sangue sempre estiveram associados aos poderes de magia da mulher, antes dos avanços científicos e o entendimento biológico da menstruação, o ciclo mensal era visto como algo mágico, pois representava a capacidade que a mulher tinha de sangrar sem adoecer, como para os povos primitivos o sangue estava diretamente ligado a vida e a morte, o fato das mulheres sangrarem mensalmente sem terem sua saúde prejudicada era motivo de espanto e reafirmava o poder da mulher, o qual todos honravam, e como ainda os processos de concepção não tinham sido descobertos, a gravidez era vista como a capacidade da mulher se auto-fertilizar, transformando o seu sangue em uma nova vida, até a supremacia patriarcal imperar, os corpos e ventres das mulheres eram o templo sagrado da vida, com a chegada das religiões patrilineares, a mulher passou a ser considerada a origem do pecado original e de todos os males da vida, a partir daí sua menstruação, a origem do seu poder espiritual, também passou a ser considerado algo pecaminoso, o qual deveria ser evitado.

Os corpos da mulheres passaram a ser propriedade dos homens, as mulheres em todo mundo sofrem até hoje o impacto dessa mudança histórica, a menstruação então ganhou vários tabus, a própria bíblia impõe vários preceitos que devem ser seguidos pela mulher que menstruar ou por aqueles que tiverem contato com ela durante seu ciclo, pois a mulher que estivesse menstruando deveria permanecer intocada por um ciclo de 7 dias, qualquer pessoa que a tocasse era considerada impura, tudo o que ela tocasse durante seu período menstrual deveria ser limpo e purificado, quem se deitasse sobre a mesma cama que uma mulher menstruada deveria se purificar lavando suas roupas e seria considerado impuro durante um período de 24 horas, para compreendermos isso devemos entender que a menstruação da mulher era vista como a fonte de seu poder mágico e espiritual, assim sendo, tudo o que é sagrado se torna um tabu e o que se transforma em tabu com o tempo é esquecido, deixado de lado, evitado, ridicularizado.

A Menstruação da mulher é o mais sagrado dos mistérios, este ciclo a liga com a Deusa, pois como Ela, a mulher passa por transformações aproximadamente à cada 28 dias, então celebrar novamente os Mistérios do Sangue da mulher torna possível a restauração e ressacralização de seu útero, de suas vidas, permitindo que as mulheres se sintam novamente donas do seu corpo e possam viver seus ciclos naturais que incluem menarca, gravidez e menopausa de forma mais equilibrada e em sua totalidade, ao passo que nossa cultura deixa de realizar tais cerimônias, ela reforça os valores patriarcais e a continuidade da retirada e enfraquecimento do poder da mulher.

Muitos são os danos psicológicos causados às mulheres por causa da negligência de nossa comunidade em honrar os Mistérios do Sangue da mulher, isso inclui a noção de vergonha imposta pela sociedade moderna acerca da menstruação, que é visto por muitos como algo sujo, ruim e subjugador, colocando as mulheres numa posição inferior aos homens ao passo que isso deveria representar o contrário.

Transição:

O Rito de Transição acontece quando um garoto atinge a idade de 13 ou 14 anos e sua estrutura física se transforma, pelos começam a crescer em seu rosto e axilas, sua voz se torna mais grave e é nessa fase que os meninos franzinos começam a crescer descontroladamente.

Dentro de um clã ou uma tribo isso significa que aquele menino passará a fazer parte dos trabalhos internos se estiver apto para isto, antigamente o Rito de Transição era uma prova aonde o menino ia para a floresta sozinho e só deveria voltar depois de matar seu primeiro animal, sendo ele um Cervo ou um Javali, o jovem rapaz era lavado com o sangue do animal e se tornava, portanto um guerreiro dentro do clã e assumia deveres de proteger seu Covén e também trazer alimento para o clã.

Hoje devido à fiscalização na proteção dos animais, o Rito de Transição não envolve mais a caça e morte de um animal, mas o menino deve sim passar três dias sozinho em uma floresta ou bosque e quando retornar deve desafiar seu pai para um combate, os dois travam, portanto uma batalha e essa batalha varia de acordo com o Clã é claro, e cabe ao jovem mostrar ao pai que não é mais um menino e que deste dia em diante todos devem respeitá-lo como adulto, que seus deveres sejam dignos de suas habilidades e que ele possa dirigir-se ao pai como igual, coisa que não acontece em sociedades diferentes da nossa, já que um menino de 14 anos para muitos ainda é uma criança que não é levado a serio e que sua voz não pode traçar seu próprio destino ainda.

Para conferir o Rito de Unção clique aqui.
Para conferir o Rito de Handfasting e Handparting clique aqui.
Para conferir o Rito de Croning e Saging clique aqui.
Para conferir o Rito de Requiém clique aqui.

Rito de Menarca

Rito de Transição

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